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LUZ, CÂMERA E AXION! 

Considerado um dos segmentos de maior expansão na moda, o second hand é uma modelo de negócio potente dentro das comunidades, mesmo diante da desaceleração causada pela pandemia.

1 de fevereiro de 2021 | Por: Wilson Smith

Por Janny Araújo e Wilson Smith

Com o desapego em alta, o movimento dos brechós vem crescendo em todo Brasil, assim como a consciência acerca do consumo. Comprar menos e melhor é a trend da vez, sem dúvidas. O setor ainda tem muito o que explorar e se alinhar com os mercados mais maduros, como o europeu e o americano, por exemplo. É fato que as compras de segunda mão, são uma realidade acessível e consciente. Segundo relatório da GlobalData com a ThredUp, a previsão de crescimento era de 24 bilhões de dólares em 2019, para 51 bilhões até 2024  – considerando um cenário pré-pandemia. Segundo relatório do Sebrae de 2019, o Brasil possui cerca de 13,2 mil empreendimentos do setor.

A ascensão em solo brasileiro tem diversas variáveis possíveis, desde a desmistificação da roupa usada e abertura de mercado através de brechós de luxo, que deram entrada à remodelação de espaços para trabalharem com foco em curadoria de peças usadas, afastando o estigma comum de lojas com roupas amontoadas ou destinadas a produtos velhos. Esse movimento se reflete nos negócios situados nas periferias, os pequenos empreendedores não possuem acervos ricos e glamurosos, mas tem muito cuidado com a conservação das peças e potencializam os recursos de atendimento.

As pautas de sustentabilidade também encorpam essa corrente, que vêm criando narrativas muito relevantes como a economia circular, e que estão sendo melhor entendidas pelos consumidores.

Os efeitos da pandemia no mercado dos brechós nas periferias

Com a necessidade do isolamento e distanciamento social em virtude do cenário pandêmico, as organizações que já estão trabalhando com modelos híbridos de vendas estão mais propensas a fazer o negócio girar. Nos bairros periféricos o baixo custo das peças é a possibilidade de vestir e calçar toda a família, como não são produtos essenciais, quanto menor o custo mais favorável.

Girlande de Souza Ferreira, tem 29 anos e é proprietária do Rock Brechó que fica localizado no bairro do Jacintinho. Sua trajetória de vendas começou em 2016, quando juntou algumas peças doadas e teve a ideia de oferecer dentro do aplicativo OLX. Ao tomar gosto pelas vendas em 2017 decidiu abrir brechó e desde então essa é a sua única fonte de renda. As roupas do seu acervo são fruto de doações em sua grande maioria, seguindo de compras feitas em feiras da pechincha. Girlande nos conta ainda, que também revende peças para outros brechós quando o seu estoque está muito cheio. “Quando estou com muitas peças paradas eu prefiro passar para outros brechós, porque é o jeito que tenho de receber algum dinheiro.”. Relata Gil, como prefere ser chamada.

Durante o período de pandemia que estamos vivendo, Girlande nos conta que revisitou o início da sua trajetória nas vendas: “90% do que consegui vender foi pela internet. Já tenho minhas clientes fixas e graças a elas deu tudo certo. Já que a gente não podia se aglomerar, eu mandava as fotos pelo WhatsApp, elas escolhiam e eu levava até a casa delas pra elas provarem as peças. Assim deu tudo certo, graças a Deus”, relata.

Algumas pessoas que doavam antes, durante esse tempo também pararam de doar e isso fez com a proprietária por alguns dias não tivesse novidades e por consequência não conseguisse vender, nesses momentos ela podia contar com o auxílio emergencial do governo para sustentar seus quatro filhos. Girlande espera que esse período passe logo e tudo possa voltar ao normal com as vendas e dias melhores para todos.

Outra história de empreendedorismo que encontramos no bairro do Jacintinho foi a de Rodrigo dos Santos, que tem o brechó há 10 anos, o ex-chefe de cozinha de 63 anos, dividia seu tempo entre as duas atividades, quando se aposentou há 05 anos passou a se dedicar junto com sua esposa, em tempo integral às vendas. O brechó Bazar Moda funciona de segunda à sábado das 5:00 da manhã até as 17h, o horário extenso é explicado por seu Rodrigo como uma forma de aumentar a gama de clientela e assim conseguir efetuar mais vendas.

O proprietário nos conta que durante os meses iniciais da pandemia sentiu um aumento nas vendas, em função da liberação do auxílio emergencial. “Muitos clientes passaram a comprar nossos produtos mensalmente, os mesmos que só tinham acesso nos períodos festivos. Ficamos muito felizes quando víamos as crianças escolhendo o que queria e os pais podiam comprar.”, nos conta emocionado.

Todas as peças que estão no bazar são frutos da compra em igrejas ou pessoas que desapegam e vendem por um preço abaixo do valor de mercado. E o proprietário comemorou com sorrisos largos ao relatar que durante a pandemia houve um aumento significativo desses desapegos, e isso fez com que durante o período o bazar conseguisse se manter de forma estável.

Esses movimentos são muito interessantes e possuem uma relevância fantástica não apenas no aspecto econômico, mas para a saúde do planeta. O consumo consciente é um assunto muito em pauta nas redes sociais, propagado sobretudo por influenciadoras. Esse garimpo sustentável que faz o dinheiro circular dentro das comunidades e ainda contribui com meio ambiente é muito positivo. Afinal, a peça mais sustentável é aquela que já existe.

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