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Cinema de Pertencimento: Vozes Pretas Periféricas em Primeiro Plano
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Movimentos que Redesenham a Moda
29 de novembro de 2025

Cinema de Pertencimento: Vozes Pretas Periféricas em Primeiro Plano

Um Olhar Sobre Nós

O projeto sociocultural ClickNiggas estreia seu primeiro documentário, Um Olhar Sobre Nós, nos dias 29 e 30 de novembro, no Arte Pajuçara. A produção, contemplada pela Lei Paulo Gustavo e pela Política Nacional Aldir Blanc, instrumentalizada pelo município, reúne relatos potentes da juventude preta periférica de Maceió, narrando suas próprias histórias com protagonismo e afeto.

Sessão Aberta

A sessão do dia 30, às 18h, será aberta ao público, com entrada gratuita mediante preenchimento de formulário disponível no Instagram @clickniggas. Após a exibição, o público participa de um debate com o Diretor Roger Silva, equipe técnica e integrantes do coletivo.

Cultura Preta Viva

Com três anos de atuação, o ClickNiggas reafirma seu papel como polo de valorização da arte preta periférica. O filme traz cenas da Primeira Cultural, registros de ensaios fotográficos e vivências que reafirmam o pertencimento e a identidade da juventude negra da cidade.

Narrativas Potentes

O documentário se torna um gesto de memória e resistência, alinhado ao conceito de “escrevivência” de Conceição Evaristo. Para o diretor Roger Silva, a obra nasce da urgência de construir novas narrativas pretas periféricas que dialoguem com ancestralidade, território e futuro.

Juventude em Foco

O documentário também evidencia o impacto do ClickNiggas como espaço formativo. Ao longo das filmagens, jovens participantes vivenciaram práticas de audiovisual, comunicação, moda e produção cultural, fortalecendo habilidades técnicas e ampliando suas possibilidades de atuação profissional dentro e fora das periferias de Maceió.

21 de novembro de 2025

Projeto Sociocultural ClickNiggas lança documentário “Um Olhar Sobre Nós”

Contemplado pela Lei Paulo Gustavo e pela Política Nacional Aldir Blanc, o filme reflete sobre identidade, pertencimento e representatividade da juventude preta periférica de Maceió


O projeto sociocultural ClickNiggas, idealizado pelo multiartista e produtor cultural Roger Silva, apresenta ao público seu primeiro documentário, intitulado ClickNiggas: Um Olhar Sobre Nós. A estreia acontece nos dias 29 e 30 de novembro, no Arte Pajuçara, em Maceió.

A primeira sessão, no dia 29, será voltada a convidados e integrantes do coletivo. Já a segunda, no dia 30 de novembro, a partir das 18h, será aberta ao público, com entrada gratuita. Após a exibição, haverá um debate com o Diretor, membros da equipe técnica e participantes do projeto que estiveram nas filmagens.

Com três anos de trajetória, o ClickNiggas vem se consolidando como um importante espaço de expressão e valorização da cultura e arte preta periférica em Maceió. O documentário reúne relatos de jovens pretos e periféricos que constroem suas próprias narrativas, assumindo o papel de protagonistas de suas histórias e refletindo sobre suas vivências enquanto corpos pretos no território alagoano. 

A produção também apresenta cenas da Primeira Cultural, evento promovido pelo ClickNiggas que celebra a arte preta periférica por meio das artes visuais, música, moda e performances artísticas, além de recortes dos ensaios fotográficos que marcaram a trajetória do coletivo.

Desde sua criação, o ClickNiggas se destaca por valorizar e ressignificar a imagem dos jovens pretos das periferias de Maceió, fortalecendo o pertencimento, a autoestima e a potência criativa de uma geração que ocupa com orgulho seus espaços. O documentário Um Olhar Sobre Nós amplia esse propósito, trazendo à tela novas formas de existir, resistir e narrar o próprio lugar no mundo — um gesto que ecoa a ideia de “escrevivência”, conceito formulado pela escritora Conceição Evaristo (2017), que entende a escrita como forma de inscrever na história as experiências e memórias do povo negro.

“O documentário nasce da urgência em construir novas memórias pretas periféricas que dialoguem com nossa ancestralidade e nos faça refletir sobre quem somos a partir de nós e de nossa história”, afirma Roger Silva, idealizador do ClickNiggas e Diretor do Documentário ClickNiggas: Um Olhar Sobre Nós

Serviço

 Lançamento do documentário: ClickNiggas: Um Olhar Sobre Nós
Datas: 29 e 30 de novembro de 2025
Horário: 18h (sessão aberta ao público no dia 30/11, retirada dos ingressos via preenchimento do formulário no link: https://forms.gle/c8Kc39itY4ZEfc6W6)
Local: Arte Pajuçara, Av. Dr. Antônio Gouveia, 1113 – Pajuçara, Maceió – AL.
Entrada: Gratuita 

Após a exibição: Debate com a equipe técnica e participantes do projeto

Realização

O documentário foi contemplado pelos seguintes editais de incentivo:

Edital nº 001/2024 – Chamada Pública para Seleção de Propostas de Fomento à Execução Cultural voltados ao segmento do audiovisual, para firmar termo de execução cultural com recursos da Lei Complementar nº 195/2022, Lei Paulo Gustavo, do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, operacionalizado pela Prefeitura de Maceió, através da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.

Edital nº 04/2024 – Chamamento Público Praça do Pirulito – Audiovisual (Complementação de curta-metragem/games, Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, operacionalizado pela Prefeitura de Maceió, através da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.

25 de setembro de 2025

Festival AfroArt: Filhos de Dandara celebra cultura preta e periférica

Festival gratuito celebra a cultura preta periférica com desfiles, shows, oficinas, feira de artes, estúdio itinerante e exposições no Monumento ao Milênio (Vergel do Lago) e no Parque Linear (Benedito Bentes I) 

Nos dias 04 e 11 de outubro, a capital alagoana vai pulsar no ritmo da cultura preta periférica com o Festival AfroArt: Filhos de Dandara, o evento contemplado pela pela  Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, e se propõe a transformar arte em manifesto político, celebração e pertencimento. O evento acontece em dois territórios simbólicos da cidade – o Monumento ao Milênio, no Vergel do Lago, e o Parque Linear, no Benedito Bentes I – reunindo artistas, empreendedores e público em uma programação gratuita, plural e inclusiva.

Mais do que um festival, o AfroArt é um ato de insurgência cultural. Inspirado na força de Dandara dos Palmares, mulher negra, guerreira e símbolo da luta por liberdade, o evento idealizado pelo fotoartísta e produtor cultural Roger Silva nasce para ecoar a potência da comunidade preta, ocupando os espaços urbanos periféricos com narrativas próprias, estéticas ancestral e vozes historicamente silenciadas.

Um mosaico de expressões

O AfroArt se afirma como um território vivo de visibilidade e protagonismo. Durante dois dias, o público vai experimentar um verdadeiro mosaico de linguagens artísticas:

Arte como martelo, não espelho

Inspirado na célebre frase de Beatriz Nascimento“A arte não é um espelho para refletir o mundo, é um martelo para forjá-lo” – o AfroArt assume a arte como ferramenta de enfrentamento, reconstrução e cura. O festival se ancora também nas ideias de pensadoras negras como Sueli Carneiro, Djamila Ribeiro, Lélia Gonzalez e Conceição Evaristo, propondo um espaço que é, ao mesmo tempo, celebração estética e prática política de resistência.

Para o idealizador e produtor cultural Roger Silva, o AfroArt “É um território de resistência e cura coletiva, onde a comunidade preta pode se ver, se ouvir e se reconhecer como protagonista de sua própria história. É a chance de transformar periferias em centros de referência cultural”.

Programação

Programação 04/10 | 16h às 20H 

Abertura do Evento (Expos, Estudio, Feirinha) 

Feira de Artes 

Exposição Física Um Olhar Sobre Nós 

Exposição Iròkò – Collab Roger e Amora 

DJs

Desfile Sillas – Vestir é Resistir: Entre Alvos e Axés

Palco Dandara: Amy Ruffino, Benja, Flormands, PopMax e Trupé de Massa. 

Artistas convidados: KayZ e Guedxss

Estúdio Itinerante (Abertura)

Fechamento com a cantora  Huná

Programação 11/10

Abertura do Evento (Expos, Estudio, Feirinha) 

Feira de Artes 

Exposição Iròkò – Collab Roger e Amora 

Oficina de Coco de Roda Ana Carla Moraes 

Desfile de Moda Black – Ankh 

Placo Dandara: Vini Santos e Brenda Ybounce, Maracatu Cambinda Nova de Alagoas, Saci, Diva Mesquita e Duendenomic. 

Artistas convidados: Caio Rocha, Scorpion e Yaluma

Estúdio Itinerante 

Exposição Projetada – Concurso

Exposição Um Olhar Sobre Nós 

Fechamento com Mary Alves e Arielly Oliveira 

Serviço

04 de outubro – Monumento ao Milênio (Vergel do Lago)
11 de outubro – Parque Linear (Benedito Bentes I)
Das 14h às 20h
Maceió – AL
Entrada gratuita
Mais informações: [instagram.com/festivalafroart]

Realização: 

O projeto foi contemplado pela  Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) –  Governo Federal, através do Ministério da Cultura. Operacionalizado pelo Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Cultura de Alagoas e pela Prefeitura de Maceió, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa. Com apoio da Awá Produtora, Roger Silva Estúdio e do Projeto Social ClickNiggas.

Contato para imprensa

contatotrendcomunicacao@gmail.com
82 99803-8233

21 de setembro de 2025

Poesia Visual: Amanda Bambu lança o fotolivro Aquário

Na sexta-feira, 26 de setembro, às 18h, a artista visual Amanda Bambu lança o fotolivro Aquário no Carambola Lab, no bairro Jaraguá. Contemplado em edital da Lei Paulo Gustavo, o livro reúne o ápice de uma imersão artística desenvolvida ao longo da pandemia e consolidada em quatro anos de execução da fotografia subaquática. Antes do lançamento, no dia 23 de setembro, acontece a abertura da exposição com algumas obras do projeto, incluindo fotografias presentes no fotolivro.

Nascida de um impulso criativo durante a pandemia, a série Aquário brotou da insistência de Amanda em experimentar a linguagem subaquática, mesmo diante de limitações técnicas e financeiras. Em suas palavras:

“Lembro que, ao pesquisar os valores das caixas estanques, equipamentos específicos para mergulhar com câmeras digitais, tudo me parecia impossível. Eram valores que ultrapassavam oito, nove mil reais, completamente fora do meu contexto, principalmente naquele momento em que, por conta da pandemia, eu estava praticamente sem trabalhar. Mesmo assim, continuei procurando alternativas até encontrar uma caixa de silicone. Apesar da fragilidade e do risco de deixar meu equipamento vulnerável, decidi arriscar. Foi com ela que comecei a fotografar, e ali me encontrei”, relatou a artista visual.

O mergulho — literal e simbólico — tornou-se o campo onde a artista investiga corpos, afetos e movimento:

“Esse mergulhar não surgiu de uma hora para outra. Também não era um sonho antigo; era, sim, uma admiração silenciosa, algo que sempre me instigou. Estar imersa na água e fotografar sempre me pareceu um gesto poético, especial, intenso”, compartilha.

Na evolução do Projeto Aquário, Amanda passou a retratar mulheres fora dos padrões, incluindo mulheres cadeirantes, criando um repertório em que o aquário assume a metáfora de útero — espaço de origem, acolhimento e atravessamento sensível:

“Eu sempre costumo dizer que o Projeto Aquário foi ganhando sentido conforme eu fui fotografando. Não foi algo previamente planejado ou muito bem articulado; ele simplesmente foi acontecendo, ganhando forma a cada mergulho. Tudo começou pelo meu encantamento com a fotografia subaquática. Na minha primeira experiência colocando a câmera debaixo d’água, um universo novo se revelou diante de mim. Sempre digo que, naquele momento, descobri uma nova forma de fotografar, e me apaixonei. Não era no ar, não era na terra, não era em nenhum outro lugar, era debaixo d’água. Foi ali que senti: ‘Hoje a fotografia faz ainda mais sentido para mim’. Com o tempo, comecei a fotografar mulheres. E, de repente, percebi que estava retratando corpos fora do padrão de beleza. Fotografei mulheres cadeirantes, o que foi um marco para mim. Cada sessão trazia mulheres de diferentes formas, às vezes seminuas, às vezes nuas, às vezes com roupas, sempre em movimento na água. Para mim, a água, o aquário, representa um útero, um espaço de origem e acolhimento. Assim, ao longo do tempo, o projeto se transformou. Deixou de ser apenas sobre a Amanda que gosta de fotografar debaixo d’água para se tornar algo muito maior, cheio de sentidos e camadas”, explica. 

Concepção do fotolivro

“Eu costumo dizer para as pessoas que o fotolivro é o ápice do meu trabalho com a arte. Então, é como se fosse, eu falo, a coroação de tudo que eu já vinha fazendo e de tudo que eu já vinha construindo de alguma forma. Eu já trabalhava com mulheres, já trabalhava com fotografia, mas eu falo que o fotolivro veio como um útero, recebendo essas mulheres, essas pessoas que eu fotografei. E é o meu útero, então é o meu aquário”, compartilha.

A seleção das imagens teve peneira inicial da própria artista e curadoria/edição de imagens de Jorge Vieira, referência na fotografia local:

“Então, o processo de seleção primeiro passou por uma curadoria minha, uma grande, não exatamente uma curadoria, mas uma peneira minha e, depois, eu enviei para o curador. O meu curador é o Jorge Vieira, uma pessoa em quem confio muito, tanto como ser humano quanto como artista. Acho que ele tem um papel importante aqui na comunidade de fotografia e confiei de olhos fechados, porque sabia que ele iria conduzir muito bem todo o contexto e a sequência do fotolivro”, relata sobre o processo.

O livro

O fotolivro reúne 31 fotografias, distribuídas em 48 páginas, e textos de Renata Voss e Jorge Vieira. A impressão é da Grafmarques. Contemplado no edital da Lei Paulo Gustavo, o incentivo foi fundamental para a realização do projeto, permitindo a participação de profissionais de ponta — da curadoria à impressão.

“O Aquário é um fotolivro que convida a um mergulho nas imagens — um mergulho poético, sensível e imersivo. É um convite para quem estiver aberto a adentrar esse universo repleto de nuances: corpos de diferentes padrões, a delicadeza da água, a suavidade dos movimentos. Um espaço para permitir-se atravessar por essas imagens” relata.

Trajetória e contribuição

A fotógrafa confirma que:
“Costumo dizer que o Aquário é a coroação de tudo que construí até aqui. Foram quatro anos dedicados exclusivamente a esse projeto, mergulhada na arte e nas possibilidades que ele me oferecia. Por isso, ele carrega um significado muito especial na minha trajetória, é o ápice do que já produzi. Acredito que seja uma das criações mais importantes da minha carreira, não apenas pelo alcance que já teve, atravessando fronteiras e sendo exibido fora do país, mas porque é um trabalho que traduz quem eu sou: como artista e como ser humano que encontra na arte a sua forma de existir”, pontua. 

Ficha técnica

Programação

Serviço

Lançamento do fotolivro Aquário — Amanda Bambu
Quando: 26 de setembro (quinta-feira), às 18h
Onde: Carambola Lab — Jaraguá, Maceió (AL)

Como adquirir

As pessoas interessadas podem entrar em contato pelo Instagram [@amandabambu]. Há link na bio e no site da artista para compra, com pagamento via Pix ou cartão de crédito e entrega na residência do comprador. O exemplar também poderá ser adquirido presencialmente no lançamento, dia 26 de setembro.

19 de junho de 2025

A Coisa Ficou Preta: a arte de Gleyson Borges como denúncia,

Dos lambes nos muros ao reencontro com a identidade: um projeto que transforma a cidade em galeria e a arte em instrumento de pertencimento

Em meio ao concreto cinza das cidades, onde as camadas da vida urbana escondem e revelam histórias, Gleyson Borges tem deixado sua marca com impressões em papel coladas em paredes e muros — cada intervenção realizada carrega camadas de significados. Criador do projeto A Coisa Ficou Preta, o artista visual alagoano transforma as ruas em verdadeiras galerias a céu aberto por meio de intervenções com lambe-lambe, que atuam como ferramentas de retribuição, denúncia e empoderamento. Seus trabalhos não apenas ocupam o espaço urbano; eles criam zonas de escuta e identificação para pessoas negras. Para Gleyson, a arte é o meio pelo qual ele devolve ao mundo aquilo que um dia lhe salvou: a consciência de sua identidade e potência como homem negro.

Lançado em novembro de 2018, A Coisa Ficou Preta não se trata apenas de colar imagens — trata-se de colar existências, colar histórias, colar reparações onde o Estado e a sociedade tantas vezes falharam.

A descoberta do fazer artístico

O caminho de Gleyson até as artes visuais foi tão orgânico quanto surpreendente. “As coisas foram acontecendo com certa naturalidade”, conta ele, ao lembrar de como ganhou um sorteio de um curso de Photoshop e, a partir disso, despertou o interesse pelo design gráfico. Trabalhou como designer e diretor de arte por anos, mas sempre teve gosto pelo trabalho manual. A virada aconteceu durante uma viagem, ao encontrar quadros de madeira pintados com stencil — peças que não pôde comprar, mas que o inspiraram a fazer por conta própria. “Eu pensei: ‘acho que consigo fazer isso’. Voltei pra casa, arrumei um palette, comprei tinta, fiz meu primeiro molde de stencil e comecei a montar quadros.”

Esse gesto aparentemente simples pavimentou o início de um percurso artístico mais consciente. Entre momentos criativos e materiais como tintas, Gleyson começava a se ver como artista e, mais do que isso, como alguém capaz de usar a arte para tocar outras vidas.

Negritude e o reencontro com a própria história

Gleyson fala com franqueza sobre o processo de se reconhecer como homem negro: “Nunca me achei branco, mas também não cresci sabendo que eu era uma criança negra. Não era uma pauta discutida na minha família, nem na escola”. Foi na infância que ele começou a perceber, ainda que de forma intuitiva, a diferença racial — como no episódio marcante do “lápis cor da pele”, que um colega pediu. “Eu tinha o lápis na cor bege, mas ele pediu cor da pele, então dei pra ele um lápis que eu chamava de amarelo queimado. E rolou meio que uma discussão, porque ele falou que aquela não era a cor da pele. E para provar, levantei meu braço com a palma da mão pra cima e coloquei o lápis no meu antebraço e mostrei. ‘É da cor da pele, sim.’ Já era uma forma de questionar um pouco e entender minha raça, mas ao mesmo tempo era uma forma de querer pertencer também, porque eu colocava o lápis na parte que fica mais protegida do sol”, relatou, descrevendo a primeira memória de como a raça atravessou sua existência.

O entendimento pleno de sua identidade racial veio mais tarde, já na casa dos vinte anos. A arte — em especial o rap — foi o fio condutor desse reencontro. Ouvindo Racionais MCs, Emicida, Djonga e outros nomes da cena, Gleyson passou a se ver nas letras, nas dores, nas lutas e na força desses artistas. “O rap me mostrou que o que eu vivia tinha nome, tinha explicação, não era acaso.”

Essa compreensão, ainda que dolorosa, despertou o impulso de retribuir. E foi com essa motivação que surgiu A Coisa Ficou Preta: um movimento visceral de devolver à comunidade negra as ferramentas que o ajudaram a se levantar. Sua linguagem foi por meio das artes visuais — e de uma vontade enorme de fazer delas um canal de transformação.

Do digital para o concreto: o poder do lambe-lambe

Durante dois anos, a ideia de criar A Coisa Ficou Preta fervia na cabeça de Gleyson, sem encontrar uma forma concreta de sair do papel. A virada veio com a descoberta do lambe-lambe — técnica de colagem de cartazes nas ruas, popular entre artistas urbanos por sua praticidade e impacto visual.

“Minha base de trabalho era digital, e eu queria levar isso pra rua. O lambe-lambe surgiu como uma solução simples, democrática e potente. Posso imprimir e colar, e qualquer pessoa pode fazer isso. É uma arte acessível.”

O lambe-lambe, para Gleyson, é mais que suporte: é resistência. Ele o considera uma linguagem democrática, que permite múltiplas formas de expressão. Além disso, o fato de estar na rua, ao alcance de todos, reforça a potência da arte como veículo de empoderamento e visibilidade.

O território como parte da mensagem

Se o lambe-lambe é a forma, o lugar onde ele é colado é parte da narrativa. Gleyson escolhe com cuidado os espaços onde atua. “A escolha do lugar varia bastante. Eu gosto muito de colar em locais que tenham algum tipo de destaque na rua, que façam sentido com a arte que está indo para ali. Mas uma coisa que gosto muito de fazer é criar artes específicas para muros específicos, criando um lambe-lambe que só vai funcionar naquele muro. Às vezes é um muro que tem dois pilares um próximo do outro e faço a imagem de uma pessoa escalando. Às vezes é um muro que está manchado de tinta rosa em nenhum padrão, como se tivessem jogado uma tinta ali de qualquer jeito, e eu faço um lambe-lambe de uma criança brincando com um balde de tinta”, relata. A rua é viva, é política. Cada muro é um território simbólico. E em suas criações existe intenção e sensibilidade artística.

Ele sabe que o espaço urbano carrega tensões e ausências — e é nessas brechas que insere sua arte. Muitas vezes, seus lambes são a única presença negra afirmativa em regiões onde corpos negros só aparecem em estatísticas ou páginas policiais. E é exatamente por isso que ele continua: para romper silêncios e abrir caminhos.

A resposta das ruas: afeto, impacto e trocas

O retorno que Gleyson recebe é, em suas palavras, o que mais o impulsiona. Crianças apontando e sorrindo para os personagens, jovens se vendo nas frases, senhoras curiosas pelas intervenções. A rua reage, a rua conversa, a rua acolhe.

Esses diálogos reforçam o papel da arte urbana como ferramenta de escuta, de construção de identidades e de disputa simbólica de território. A Coisa Ficou Preta é, antes de tudo, sobre pertencimento.

Influências, processo criativo e legado

O repertório de Gleyson é vasto e multirreferenciado. Sua principal fonte de inspiração continua sendo o rap, com destaque para nomes como Emicida, Negra Li, BK, Rincon Sapiência, Drik Barbosa, entre outros. Mas ele também se alimenta de livros, filmes, conversas, memórias e afetos. Tudo vira material criativo. “Guardo as referências numa espécie de caixinha de ferramentas. Às vezes, elas se juntam naturalmente e viram uma arte. Outras, demoram a se encaixar.”

Além disso, o artista tem se conectado cada vez mais com outros artistas visuais, especialmente de fora do eixo Rio-São Paulo. “Tem muita gente incrível no Norte e no Nordeste fazendo arte potente. É importante olhar para esses lados também.”

Loja, autonomia e sustentabilidade

A abertura da loja de A Coisa Ficou Preta foi um passo importante para garantir a sustentabilidade do projeto e ampliar seu alcance. Gleyson mantém uma loja online — www.acoisaficoupreta.com.br — onde comercializa uma variedade de produtos, como prints em fine art, adesivos e ímãs de geladeira. A proposta é ser diverso tanto na forma quanto no preço, oferecendo peças de qualidade, mas também acessíveis, para que mais pessoas possam ter contato com sua arte. Além da loja virtual, ele participa eventualmente de feiras criativas, mas a maior parte das vendas acontece mesmo pelo site. Gleyson também divulga em seu Instagram @acoisaficoupreta obras originais e intervenções exclusivas, como quadros e peças únicas.

A Coisa Ficou Preta — e isso é lindo

A trajetória de Gleyson Borges é uma travessia pessoal e coletiva. É a história de alguém que encontrou na arte não só uma forma de expressão, mas um caminho de cura e retribuição. A Coisa Ficou Preta é um projeto de corpo inteiro: feito com a cabeça, com as mãos e com o coração. Ele fala de negritude, de força, de memória e de futuro.

Ao ocupar os muros, Gleyson não apenas cola papel — ele estampa vivências, imprime urgências e inaugura possibilidades. Em tempos de retrocessos e silenciamentos, sua arte é um chamado à ação, à escuta e à construção de um mundo mais justo e plural.

Sim, a coisa ficou preta. E ainda bem que ficou.

Rex Jazz Bar segue com programação junina alternativa

Maratona de festas iniciou final de maio com festas juninas para todos os gostos

O Rex Jazz Bar segue celebrando as festas juninas com uma programação eclética que mistura tradição e diferentes ritmos. Desde o final de maio, o forró tem dividido espaço com pop, funk e rock, animando públicos diversos no bairro do Jaraguá. As festas continuam até o dia 28 de junho sendo uma opção de “after” do São João oficial da cidade.

O Rex tem se consolidado como um ambiente alternativo em Maceió com festas e shows para diferentes públicos, promovendo a diversidade e fortalecendo a economia criativa na cidade. Mais informações sobre as atrações e ingressos podem ser adquiridas pelo Instagram do Rex (@rexjazzbar).

Confira a programação:

20/06 – Arraiá da Match
21/06 – Ensaios da PQP
22/06 – After da Pabllo
27/06 – Arraiá do Possa
28/06 – Festa das Saficas

SERVIÇO:
O que? Festas Juninas do Rex Jazz Bar
Quando? de 20 a 28 de Junho
Onde? Rex Jazz Bar, Jaraguá
Ingressos: no Instagram do Rex (@rexjazzbar)

7 de junho de 2025

Orgulho é Verbo: Quebrada Ocupa, Canta, Cria

No último sábado, 31 de maio, o alto do Mirante do Jacintinho foi tomado por cores, afetos e potências. Foi lá que aconteceu o Festival Orgulho na Quebrada, um encontro vibrante da arte e da cultura LGBTQIAPN+ mas periferias. Das 16h às 20h, o público viveu um evento gratuito com apresentações musicais, performances, discotecagem, feira criativa e ações afirmativas — tudo em um espaço pensado para acolher, incluir e celebrar.

O evento garantiu acessibilidade com intérprete de Libras em tempo integral no palco, uso de linguagem neutra em todas as comunicações e uma ambientação que reforçou o orgulho de ser quem se é. O Mirante se tornou palco de liberdade, diversidade e resistência.

Ação, Afeto e Arte

O Festival Orgulho na Quebrada é uma realização independente, idealizada por mim, Wilson Smith — jornalista e produtor cultural. O projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, por meio do Ministério da Cultura e da Prefeitura de Maceió, e também pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), com execução da Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas.

Com este festival, reafirmamos que iniciativas culturais não podem se limitar aos centros. Elas devem florescer também onde os corpos dançam entre a sobrevivência e a criatividade: nas quebradas.

Vozes e Corpos que Ecoam 

O Palco Orgulho foi o epicentro do festival, reunindo uma curadoria artística potente que celebrou a pluralidade da arte LGBTQIAPN+. Subiram ao palco Flormands, Melanina Mc, Pérolla Brasil, Scorpion, George Olicino, Emerson Anun, MarioMyu, Jade Zolita, Maju Shanii e Mary Alves.

Entre poesia, beats e performance, a quebrada mostrou sua força criativa e transbordou emoção em cada apresentação.

Afeto em Forma de Produtos e Serviços

A Feirinha do Orgulho reuniu 12 empreendimentos criativos de pessoas LGBTQIAPN+ e aliados. Moda, arte, cosméticos, gastronomia e acessórios foram comercializados por marcas que representam não só estilo, mas história, ancestralidade e afeto. Participaram: Raposa Marrom, Raiz e Orgulho, Estúdio Obo, SunClothings, Studio Afro Power, Grilo Loja, Bosque dos Artes, Inefável, Brownie do Helton, Aziza, Soul Ambar e Mães da Resistência.

O espaço foi mais que comercial — foi uma troca entre quem cria e quem consome com consciência e amor.

Inclusão, Diversidade, Acessibilidade e Escuta Ativida

Mais do que uma celebração cultural, o Festival Orgulho na Quebrada foi um manifesto vivo de inclusão, diversidade, acessibilidade e escuta ativa. Cada detalhe da produção foi pensado com o propósito de acolher e valorizar todas as identidades, fortalecendo vínculos e criando novas possibilidades de existência. Com um intérprete de Libras presente em todas as falas do palco, a acessibilidade não foi um recurso adicional — foi pilar central. O resultado foi um ambiente verdadeiramente seguro e representativo, onde cada pessoa pôde viver sua identidade com liberdade, respeito e orgulho. Um espaço onde o afeto e a política caminharam lado a lado, abrindo caminho para um futuro mais justo e plural nas periferias.

31 de maio de 2025

FESTIVAL ORGULHO NA QUEBRADA

O Mirante do Jacintinho recebe neste sábado, 31 de maio, o Festival Orgulho na Quebrada, das 16h às 20h, com acesso gratuito. O evento celebra a potência da cultura LGBTQIAPN+ das periferias com uma programação diversa e inclusiva, que reúne apresentações artísticas, performances, discotecagem, feira criativa e ações afirmativas. A estrutura contará com intérpretes de Libras durante todo o palco, linguagem neutra nos canais oficiais de ambientação visual e a valorização da comunicação.

REALIZAÇÃO

O Festival Orgulho na Quebrada é uma realização independente, idealizada por mim, Wilson Smith, jornalista e produtor cultural. O projeto tem o apoio da comunidade, de coletivos locais e de entidades que defendem pautas sociais e afirmativas, como o Programa de Políticas Públicas para a População LGBTQIAPN+ da Prefeitura de Maceió (Políticas LGBTQIAPN+), Centro de Cultura Popular Mestre Clínio, União Nacional Aldir Blanc (PNAB), entre outros parceiros.

PALCO ORGULHO

O Palco Orgulho será o coração pulsante do festival, com uma sequência de apresentações que exaltam a pluralidade da arte LGBTQIAPN+ das quebradas. A programação inclui nomes como Flornanda, Melanina Mc, Perolla Brasil, Scorpion, George Ollicino, Emerson Aun, MarioMyu, Jade Lolita, May Shanitá e Mary Alves. As apresentações transitam entre gêneros musicais, poesia e performance, representando a força criativa das quebradas.

FEIRINHA DO ORGULHO

O evento também contará com a Feirinha do Orgulho, reunindo 12 empreendimentos criativos de pessoas LGBTQIAPN+ e aliades. Moda, arte, cosméticos, gastronomia e acessórios estarão à venda, priorizando o consumo consciente e o apoio direto a negócios periféricos e autônomos. Participam nomes como: Raspou Marmita, Raízes e Orgulho, Estúdio Obu, SunClothings, Studio Afro Power, Grilo Loja, Bosque dos Artes, InteVesti, Brownie do Hélton, Aziza, Soul Amber e Mãos da Resistência.

INCLUSÃO E REPRESENTATIVIDADE

INCLUSÃO E REPRESENTATIVIDADE

Mais que um evento, o Festival Orgulho na Quebrada é uma ação política e afetiva. A produção se compromete com práticas inclusivas, garantindo intérprete de Libras durante toda a programação do palco, o uso de linguagem neutra em todas as comunicações oficiais. O objetivo é criar um espaço seguro, acolhedor e representativo para todes que desejam viver sua identidade com liberdade e orgulho.

17 de maio de 2025

Favela Rap – Pertencimento e Resistência na Periferia

Cultura no ar! 

Vem aí o Festival Favela Rap, evento que promete movimentar as periferias de Maceió com arte, música e resistência. Com produção de Nego Zika e Maria Clara, o festival acontece nos dias 17 e 24 de maio, das 13h às 22h, em espaços públicos do Benedito Bentes e da Chã da Jaqueira. O projeto foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e celebra a força da cultura Hip Hop nas quebradas, reunindo múltiplas linguagens artísticas e ações comunitárias. Gratuito e para todos!

Programe-se!

O Festival Favela Rap já tem data, hora e lugar! No dia 17/05, a programação toma conta do Parque Linear do Benedito Bentes e no dia 24/05, a festa é na Quadra da Boa Vista, na Chã da Jaqueira. Tudo das 13h às 22h, com oficinas de grafite, rima, break, penteado afro, batalhas de rima, slam ancestral e shows com nomes como Huna, Arielle, Toninho, Fúria Jovem, Saci, DJ Obama, DJ Walliston e o próprio Nego Zika.

Acessibilidade garantida

Além de uma programação potente e gratuita, o Festival Favela Rap também é inclusivo. As principais atividades do evento contarão com intérprete de Libras, garantindo acessibilidade para pessoas surdas. É cultura feita com representatividade, inclusão e respeito — como deve ser!

Voz da favela

“O Festival Favela Rap é um grito de liberdade e pertencimento. Quando ocupamos as praças com arte, com rap e com afeto, estamos dizendo que a periferia tem voz, tem potência e tem identidade”, afirma o idealizador Nego Zika, artista e ativista cultural nascido no Benedito Bentes. O projeto já teve edições independentes e agora ganha força com apoio da Lei Aldir Blanc.

12 de maio de 2025

Feira de Artesanato em Maceió está com inscrições abertas para artesãos, empreendedores e artistas

Com o tema “O Artesanato também é Popular!”, a Feirarte espera reunir cerca de 130 expositores na capital alagoana

A primeira edição da Feira Internacional de Artesanato (Feirarte) está com inscrições abertas para expositores locais e de outras cidades. Com o tema “O artesanato também é popular”, o evento será realizado em Maceió entre os dias 25 de Julho a 03 de Agosto de 2025, das 14h às 21h, no Espaço de Eventos Jaraguá (antiga Vox Room), no bairro histórico do Jaraguá. As inscrições são realizadas por meio de formulário digital.

Além disso, os artesãos, empreendedores e artistas que estiverem interessados podem entrar entrar em contato com a equipe de vendas e tirar dúvidas: Agápto Costa (82) 9 9638-7603, Rodolfo Peres (82) 9 9381-7694 ou Diego Oliveira (82) 9 8105-9212. Com mais da metade dos estandes ocupados, o evento pretende reunir mais de 130 expositores de diferentes segmentos promovendo a economia criativa e a oportunidade de troca cultural.

De acordo com Agápto Costa, promotor do evento, a feira tem o objetivo de promover o artesanato e o empreendedorismo criativo, gerando oportunidades de renda e emprego, com artesãos e empreendedores criativos dos mais diversos segmentos, atrações musicais e culturais, espaço Kids, workshops, oficinas e palestras. O espaço contará também com ampla praça de alimentação e estacionamento gratuito para visitantes e expositores.

Em parceria com o Fórum de Cultura Popular e do Artesanato Alagoano (Focuarte), a Feirarte é uma realização da HP Promoções e Eventos, produtora alagoana criada em 2013 que fomenta o artesanato e o empreendedorismo criativo, a fim de gerar mais oportunidades de trabalho para o artesão e pequenos empreendedores.

Para mais informações, acompanhe o Instagram do evento (@feirartebr) ou entre em contato através dos canais disponíveis em linktr.ee/feirartebr.

SOBRE O TEMA

A primeira edição da Feirarte terá como tema “O artesanato também é cultura popular!”, pois, além de ser arte e técnica do trabalho manual, o artesanato é um fenômeno que se origina da interação entre as pessoas e que também é transmitido de geração em geração, através de seus costumes e tradições.

SERVIÇO
O que? Inscrições para expositores na Feira Internacional de Artesanato (Feirarte)
Quando? Até 25 de julho
Onde e Como? Inscrições pelo formulário digital