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A Estética do Tempo:Do destroyed ao envelhecimento proposital

A Estética do Tempo:Do destroyed ao envelhecimento proposital

20 de junho de 2026 | Por: Wilson Smith

Com História 

Vivemos uma era em que o repertório virou capital cultural. Saber antes, descobrir antes e consumir antes tornou-se quase uma competição silenciosa. Nesse cenário, a moda encontra no aspecto desgastado uma nova forma de distinção, transformando marcas do tempo em símbolo de desejo.

Tempo Visível

Nas passarelas da Prada, camisas e casacos surgem com manchas, desbotamentos e acabamentos que simulam décadas de existência. Mais do que um recurso estético, essas peças carregam uma narrativa: em um mundo acelerado, aquilo que parece ter vivido mais tempo ganha valor emocional e simbólico.

Beleza Gasta

A estética do desgaste não é novidade. A Maison Margiela ajudou a consolidar essa linguagem ao transformar tapeçarias antigas, tecidos reaproveitados e superfícies imperfeitas em objetos de culto. Hoje, a ideia reaparece em diferentes escalas e interpretações, reafirmando o fascínio pelo inacabado.

Novo Vintage

O efeito destroyed ultrapassou o território do jeans e das camisetas. Dos gorros da Pace aos experimentos têxteis da Diesel, a aparência de uso se espalha por diferentes categorias, reforçando a busca por peças que transmitam personalidade, memória e individualidade.

Luxo Vivido

Na Gucci sob a direção de Demna, sapatos propositalmente desgastados ilustram uma questão contemporânea: até o luxo parece precisar provar que atravessou o tempo. Em uma realidade cercada por inteligência artificial, filtros e perfeição digital, o desgaste deixa de ser defeito e se transforma em evidência de existência.

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